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  Cidadão natalense

A Câmara Municipal de Natal aprovou na Sessão Ordinária dessa terça-feira (4), por unanimidade dos 21 parlamentares presentes, a proposição do vereador Ney Lopes Jr.(DEM), que concederá o Título de Cidadão Natalense ao repórter fotográfico Francisco Canindé Soares de Lima.

A entrega do título será no Dia Mundial da Fotografia, 19 agosto.

Canindé Soares foi entrevistado pelo nosso coletivo no dia 15 de dezembro de 2009.

Entrevista Canindé Soares
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por Rogério Marques e Bruno Rebouças

Fotojornalismo à flor da pele
Há décadas Canindé Soares faz da fotografia o seu instrumento de trabalho. o fotojornalismo sempre foi a sua paixão, onde busca registrar fatos da realidade em foco. Um dos repórteres fotográficos mais requisitados em nosso estado, ele fotografa diariamente, transformando sua missáo num poderoso banco de imagens, onde se encontram todos os temas. Durante a entrevista concedida ao jornal O Coletivo revelou sua admiração pelo trabalho do fotógrafo Evandro Teixeira. A fotografia é a sua principal forma de linguagem. Para isso, usa sua câmara fotográfica como uma arma a serviço da comunicação. Através das suas fotos Canindé conta histórias do cotidiano que são publicadas todos os dias no blog: http://canindesoares.blog.digi.com.br/blog/. Hábito que cultiva apaixonadamente.

 

O que levou você a utilizar a fotografia com esse cunho social?
A fotografia para mim é uma coisa muito prazerosa. Eu digo sempre que tenho o privilégio de ser pago para me divertir. Pelo fato de gostar eu vou fotografando tudo que vejo. Eu não me preocupo com pauta, ou com o que eu vou fazer no dia ou na semana. As coisas vão acontecendo e eu vou registrando. [Surpreendentemente Canindé pára de falar e se diz encabulado ao se ver diante da nossa câmara fotográfica.

Teve um episódio sobre o carnatal em relação à Ivete Sangalo. Fale sobre a dificuldade que o jornalista enfrenta para chegar perto desses artistas.
A maioria dos artistas são pessoas simpáticas. Mas as pessoas que rodeiam esses artistas não só criam dificuldades como também nos tratam com muita indiferença, quando não tratam mal. Elas usam o fato da imprensa precisar divulgar o artista e usa desses artifícios, o que devia ser o contrário. No caso de Ivete Sangalo, eu chego lá para fotografar e sai uma pessoa da produção e diz: fotógrafo não vai ter acesso. Estou me lixando. Acho que ela perdeu muito mais do que eu. Acho que o blog, mesmo sendo um espaço pequeno, não deixa de repercutir. A mídia nacional estava querendo imagem dela. A Veja me procurou querendo esse material.

Quando você é barrado para fazer uma foto que precisa, o que você geralmente faz? Fale de uma situação que você já passou.
Aconteceu, por exemplo, eu tinha que fotografar Antonio Bandeiras para a revista Caras e não estava credenciado. Tinha um aparato de segurança que não deixava eu me aproximar. Como tinha o compromisso com a revista eu fiz. Mas faço constrangido. Quando eu posso me dar o luxo de dizer: eu não vou fazer, principalmente se estou fazendo para o meu blog, não passo por esse problema.

Você trabalhou praticamente em todos os jornais aqui do Estado. Qual a relação que você tem hoje com a grande mídia?
Uma relação profissional, mas também de amizade com a maioria dos jornalistas e editores. O maior problema que a gente enfrenta com a mídia é a questão do crédito, que é um direito nosso, mas muita gente quer barganhar em troca de ceder a foto pelo crédito. Esse é o único problema que enfrento, mas que a grande maioria entende.

Mas a grande mídia tem levado em conta o valor cobrado pela foto?
A nível local o valor é muito aquém do que deveria. A nível nacional ainda é baixo, mas é muito superior ao que pagam aqui. Interessante que na mídia internacional o valor é absurda-mente superior ao que o Brasil paga. Como não existe a formação acadêmica do fotojornalista as pessoas terminam fazendo de qualquer forma. Essa falta de formação gera altos e baixos e a não valorização devida dos produtos.

Como foi que começou o seu blog?
Há 30 anos eu comecei mostrando meu trabalho. Não existia Internet naquela época, mas eu colocava as melhores fotos num álbum e mostrava. Eu cheguei a fazer um jornal para publicar meu trabalho e mostrar. Eu fui o primeiro fotógrafo a ter um site aqui no RN, com o objetivo de mostrar o meu trabalho. O blog não foi diferente. Ele foi feito para mostrar meu trabalho, mas ganhou outra dimensão pelo fato de que eu fotografo todos os dias e vou colocando lá, aí se tornou quase um veículo de comunicação. Tanto que eu tenho a cobrança dos leitores: Porque você não fez isso, ou aquilo. O blog é o retrato do que eu faço. Ele não é um veículo que eu vou atrás, e às vezes até vou, mas esse não é o objetivo principal. Então, o blog ganhou essa dimensão, hoje é quase um veículo de comunicação que as pessoas entram para se informar, saber o que aconteceu.

Você começou esse nosso papo dizendo que fotografar é sempre prazeroso. Você abandonou o filme de vez?
Se eu fosse um cara que tivesse grana tinha sido a primeira pessoa do mundo a ter uma câmera digital. Eu gosto da praticidade, acima de tudo. A agilidade, a rapidez, a dinâmica da internet, isso para mim foi sempre um sonho. Porque diante de toda a evolução da tecnologia a gente está usando filme, uma coisa primitiva, um processo sofrível? Eu não quero lembrar que o filme existiu. Faço questão de dizer: não tenho a mínima saudade. Inclusive, não gosto nem de falar nisso, porque o meu arquivo de filme foi todo perdido devido à umidade.

Você falou que há uma diferença extrema entre o valor de uma foto internacional uma nacional. Fale um valor.
Uma foto de ocorrência normal, que interesse à mídia nacional, talvez valesse uns mil reais, no máximo. A foto de Ivete Sangalo que queriam que eu pegasse aqui não chegaria a isso. A não ser que fosse um acidente, uma coisa maior. Mas numa situação como essa eu cheguei a vender uma foto para Noruega por R$ 6 mil.

Qual foi a foto?
Uma foto de Pelé.

Como funciona esse trabalho do blog?
Como eu falei, foi feito com o objetivo de mostrar meu trabalho. O trabalho do blog já está todo pago. Como eu trabalho com assessoria de imprensa, eu cubro eventos e tenho que distribuir esse material para colunistas, blogueiros, editorias de jornais. Indiretamente, eu já ganho porque o cliente sabe que a foto dele vai estar lá e ser vista, então, ele faz questão que eu vá cobrir o evento dele. Quando ele fotografa comigo, além de ir para o blog vai repercutir. Os outros blogs pegam, os colunistas pegam. É bom para o cliente e bom para mim. Aí é natural que a gente ganhe dinheiro de outras formas, como anúncios. Eu tinha um banner da prefeitura, tirei agora porque acabou a grana, mas deve voltar. Eles que me ofereceram. O costume provinciano de Natal ainda é que quando a gente vai oferecer a gente está precisando. Eu não gosto de oferecer por esse fato. O blog já está sendo reformulado. Tem uma empresa de marketing interessada, e eles vão vender espaços. Na verdade é um portal que vem aí, com vários outros blogs. Fui convidado e o retorno vem aí, quer dizer, eu plantei né?

Esse blog aí tem alguma ligação com o Novo Jornal?
Não, não. O Novo Jornal começou a usar as coisas do meu banco de imagens, e aí vamos definir como eles vão dar a contrapartida. Mas já estão usando o material e tem várias mudanças por aí.

Fora esse trabalho de freela que você faz, nacionalmente, já trabalhou algum período fora de Natal?
Não. Sempre em Natal. Nem tenho interesse, não. Gosto muito daqui, vivo muito bem e é muito bom você estar num canto que conhece todo mundo. É tanto que eu gosto muito desse relacionamento, chegar num lugar, encontrar as pessoas. É por isso que digo: Enquanto que o cara vai para uma festa e pagou para entrar, eu estou lá sendo pago, encontro os amigos, conhecidos.

São 30 anos fotografando profissionalmente, você tem idéia de quantas fotografias você já fez? Quantas foram publicadas?
Não tenho a mínima ideia. Eu sei que no blog tem mais de 7 mil fotos. É o único número que eu tenho de correto.

Tem algum trabalho de fotojornalista que você admira?
Canindé: Evandro Teixeira tem um trabalho espetacular. Admiro a pessoa profissional Evandro Teixeira, porque o cara hoje tem mais de 70 anos está no jornal do Brasil igual a um menino. O cara tem um trabalho espetacular. Tem umas coisas que eu não... que não é dele, quem sou eu para criticar.

A fotografia digital, principalmente, tem facilitado a manipulação...
O fotógrafo sempre forjou de alguma forma. Não sei se é forjou o nome. Ele sempre manipulou. Ou na hora de fotografar ou no laboratório. A fotografia digital só facilitou. Quando você vê a fotografia num jornal, numa revista, a credibilidade daquela informação está muito ligada ao autor, porque se o autor não tem credibilidade o cara nunca vai confiar naquela informação. Mas você sabe que tem jornalista que tem jornal e paga para o sensacionalismo. Da mesma forma que tem fotógrafo que manipula. Eu não faço. .

Se o cara sabe que eu não faço, a minha fotografia vai ter muito mais credibilidade. Mas se o profissional começa a usar essa tecnologia para manipular vai ser pego porque a mentira tem perna curta.

Pra terminar, manda um recado para as pessoas que estão interessados em iniciar no fotojornalismo.
Não só na fotografia e no fotojornalismo, qualquer área de atuação, hoje, o camarada tem que gostar. O primeiro ponto é gostar, quando você gosta é natural que você faça bem feito e procure fazer cada vez da melhor forma possível. Quando você não gosta vai fazer só por dinheiro, e fazendo por dinheiro é natural que você nunca faça uma coisa legal. Então, o resto é se formar, fazer curso, estudar, ler, ver revista especializada. Pelo fato de gostar o cara faz isso com tanto prazer que ele vai absolvendo tudo.


OPINIÃO.......................................................................................................................................

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