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Entrevista Decreto Final
Uma banda de rock pra curtir e fazer pensar
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por Rogério Marques e Bruno Rebouças

Fundada em abril de 2001, a banda Decreto Final é uma ótima proposta de rock potiguar. Sem o besteirol costumeiro entre bandas autorais Decreto Final compõe músicas que objetivam uma reflexão sobre o cotidiano.


A BANDA DECRETO FINAL
já lançou dois CDs Demo: A Sobra (2005) e Deserto de Ilusões (2007). O estúdio de som fica em nova natal, zona norte da cidade, onde a banda nasceu.


Berg Guimarães (Baixo e Voz)

Harrison Araújo (Guitarra e Voz)

Mário Roberto (Guitarra e Vocal)



Rick Souza (Bateria)

Para descolar uma grana extra essa rapaziada tem outros projetos, como tocar MPB, pop e pop-rock em barzinhos.






O Coletivo Foque de Comunicação
bateu um papo com Berg Guimarães e Harrison Araújo sobre rock e os sonhos da banda. As músicas do Decreto Final podem ser baixadas e ouvidas no site: www.decretofinal.palcomp3.com.br

Qual foi a ideia que levou à formação da banda?
Decreto Final: A banda foi formada para fazer o aniversário do outro guitarrista, Roberto. Aí os caras começaram a compor música, o Harrison é um grande compositor.

Como surgiu o nome Decreto Final?
DF: Foi numa mesa de bar (risos), porque todo nome que a gente colocava já existia. Primeiro foi Carpe Diem (Curtindo a vida, em Latim), mas um dia passou na rádio: Carpe Diem no Machadinho, e não era a gente (risos). Então, mudamos para Azimute, que é quando você acha a direção certa da bússola. Descobrimos que tinha uma banda de forró lá de Fortaleza. O terceiro nome foi Ponto de Fuga, mas também tinha uma banda com esse nome em Brasília. Por último, de uma lista cheia de nomes que você pode imaginar surgiu a palavra decreto. Roberto olhou e disse: pronto, vamos decretar o nome da banda, Decreto Final.

Quando sai o CD?
DF:
A gente está em estúdio, vamos gravar dez músicas inéditas, é o primeiro CD com a nova formação, com o apoio da Lei Núbia Lafaiete.

Além desses eventos mais alternativos, em termos de grana, já pintou algum show?
DF:
Rapaz, no meio alternativo para ganhar dinheiro é difícil. A gente toca bastante, Sempre tem convites. A gente faz um evento, também, no mês de setembro, chamado ZN Rock, já está no quarto ano. Acontece no Rock Hall, na estrada da Redinha. O evento está ganhando nome. O evento underground aqui em Natal, do nativo, o pessoal não valoriza muito as bandas, porque é banda de garagem. A gente paga para tocar, bota gasolina no carro, chega lá para tocar e tem gente que não dá nem água. A gente ganha dinheiro com os covers, aí é que entra um realzinho.

Voltando ao ZN Rock
DF: É um evento que a gente faz todo ano, com uma batalha, correndo atrás de patrocínio, de gráfica, de posto de gasolina, de um bocado de canto. É um evento beneficente. Esse ano de 2010 vamos fazer um baita show. O evento está crescendo. Vem outras bandas aqui do Estado.

Em relação ao CD que está sendo gravado, todas as músicas são de autoria de vocês. Fala um pouco sobre isso.
DF:
A gente fala geralmente sobre o cotidiano, para quem está ouvindo poder refletir sobre várias coisas. Das alegrias aos temores. Tem uma música chamada Natal, que é em homenagem a cidade. O CD está sendo gravado no estúdio Do Sol. Vamos mixar no Megafone, fazer um negócio legalzinho. Como se diz, um CD original, sem passar pela Zona Franca de Manaus.

Como é que vocês vêem a questão do rock hoje, do rock nacional?
DF:
Hoje, a música está muito pobre, só falam em putaria, é difícil ouvir uma música que faça você refletir sobre alguma coisa. E a questão do cenário do rock no Brasil, teve aquele boom nos anos 1980 com as bandas que a gente conhece. Em 1990 foi mais apagadinho, em 2000 começou a estourar uma bandinha e tal. Eu acho que o cenário está melhorando. Está abrindo muito espaço para as bandas alternativas. Aqui em Natal ainda está engatinhando, mas a gente chega lá. Tem o festival Do Sol, tem o ZN Rock que a gente faz. Na verdade, o ZN Rock a gente já considera como o terceiro festival de Natal.

Antes da formação da banda Decreto Final, o que vocês faziam musicalmente?
DF: Antes da banda a gente não tocava porra nenhuma, montamos a banda como iniciantes mesmo, aí começamos a tocar músicas dos anos 80, depois vieram as composições. Hoje estamos aí. Vamos fazer nove anos em 2010.

E para sobreviver, tem alguma coisa por fora da banda?
DF:
Todo mundo tem que trabalhar, porque se for para viver de música a gente vai morrer de fome. É todo mundo proletariado.

Sobreviver de música é um problema nacional ou é mais uma questão local?
DF:
Música autoral é um problema mundial, porque tocar música autoral, até chegar a atingir o público, o cara tem ralar muito e comer muito feijão com arroz. O rock está muito nessa linha do EMO, música pesada com o cara dizendo: eu te amo, volta pra mim... um arrego da porra. É um brega com distorção. Eu não faço um negócio desse não.

Já fizeram show fora do Estado?
DF:
Assim, tem muita banda aqui em Natal que tem paitrocínio, aí tem como ir para São Paulo, Rio Grande do Sul, se bancando. Se a gente chegar lá na doida, quando voltar não tem mais emprego. A gente é uma banda de cinco pobres que está no meio dos playboys, por que a gente toca nos festivais de médio e grande porte.

Qual o sonho de vocês?
DF:
Não é ir pro Faustão não. A gente quer que tenha a galera cantando nossas músicas, que são músicas para refletir, para curtir. A gente quer ter o público em nossos shows, cantando nossas músicas. Compre o CD não, porque ninguém vive de venda de CD. Compareça ao show, conheça a banda e cante as músicas. Resumindo, a gente quer ficar conhecido em Natal, no Rio Grande do Norte, no Brasil e no mundo (risos).

Manda aí um recado que vocês nunca tiveram oportunidade de dizer. Aqui está o espaço para vocês falarem.
DF:
O Decreto Final é uma banda autoral com muita raça, sangue na veia, rock roll na veia. A gente quer que o pessoal compareça aos shows, acesse o site e confira aí as novas composições que em breve estarão no mercado.


OPINIÃO.......................................................................................................................................

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