GRANDES EVENTOS E EXCLUSÃO SOCIAL.
08 DE DEZEMBRO DE 2011 | por Coletivo Foque | Fotos: Rogério Marques
Enquanto serviços públicos como saúde e educação sofrem com o corte de verbas o governo investe bilhões na construção de estádios de futebol. Para discutir essa temática dos grandes eventos, segurança e prejuízos à população, o Sindsaude/RN, o Sintsef/RN e a CSP-Conlutas realizaram um debate, dia 08/12, no auditório do Sindsaude. O debatedor foi José Claúdio, professor de Sociologia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
Para José Cláudio, “Ao longo do tempo, a lógica de cidades como natal e rio de janeiro foi sendo construída a partir do interesse de vários grupos que praticam uma política de segurança pública de execução sumaria, que exclui os negros, os pobres, os favelados e os mais humildes da sociedade”.
Ele afirma ainda que essa política constrói cidades voltadas para grandes eventos que acabam beneficiando somente a parcela mais rica da população. “Impedem que a sociedade como um todo tenha acesso a saúde, educação, segurança de uma forma mais adequada. Isto faz com que o estado crie regras de exceção para que as populações percam o acesso aos seus direitos básicos como cidadão e possam ser removidos, excluídos, separados. As áreas de saúde e educação estão cada vez mais degradas e são desviados cada vez mais recursos públicos para setores que possuem cada vez mais e não investem em áreas importantes”
Autor do Livro Dos barões ao extermínio, Cláudio também denuncia os verdadeiros culpados pela onda de violência que toma conta do país. Normalmente são as favelas as culpadas pela violência urbana. Para José Cláudio, os verdadeiros responsáveis pelo comércio ilegal de drogas nunca aparece. São burgueses escondidos atrás do poder e da política que financiam o tráfico de drogas que ganha fama nas favelas. Esse é o grande negócio do crime organizado.
O debate contou com a participação de servidores públicos e representantes de entidades do movimento sindical e popular, que criticaram os desvios de dinheiro público para a construção de grandes eventos, como a copa do mundo de 2014, enquanto o serviço público enfrenta sucessivos cortes de verbas.
“O assunto do momento é esse grande evento que é a copa do mundo de 2014. O governo federal está apostando numa lógica inversa aos interesses da população, que necessita de saúde, educação, transporte, cultura e lazer. No final das contas, os únicos que lucrarão com eventos como o da copa do mundo são os grandes empresários e os governos que se beneficiam politicamente com toda a estrutura que está sendo montada. Enquanto o nosso estado vai gastar milhões para construir estádios, o governo diz que vai ter menos recursos para a saúde. A lógica continua sendo inversa, sempre beneficiando os grandes empresários e prejudicando a população”.
[Caio, da CSP-Conlutas]
“O debate mostrou muito bem como esses grandes eventos caracteriza o desperdício do dinheiro público, enriquecimento das empresas, e dos grupos dominantes, que usam recursos públicos para se beneficiar, muitas vezes ilicitamente. É um desastre usar milhões e milhões de dinheiro para se construir uma arena esportiva na cidade do Natal. Esse dinheiro podia muito bem ser destinado para as áreas de saúde, educação, saneamento, segurança. Isso é o que a população precisa. infelismente, com a euforia da copa do mundo, esses recusos estão vindo para uma obra que pode se transformar em elefante branco”.
[José Joaquim, do SINTSEF/RN]
“Esse tema é de muita importância para todos nós. Estão criando cada vez mais obras desnecessárias, que não trazem nenhum benefício à população. Ao contrário, só traz prejuízo, pois retiram as pessoas que moram nessas localidades onde são construídos grandes obras superficiais. Para isso, os empresários pegam o dinheiro público e o governo ainda paga juros. Há três anos o Machadão passou por uma reforma que custou oito milhões de reais, e agora foi para os ares. Um desperdício. O governo do RN vai ficar vinte anos mais endividados. E vai tirar da saúde, da educação. É preciso que a gente lute contra isso. Não é possível que o governo gaste milhões na construção de um estádio de futebol, quando o povo está morrendo à míngua nos corredores do Walfredo Gurgel, servidores públicos com salários congelados e muita gente sem emprego”.
[Sônia Godeiro, do SINDSAUDE/RN]
“Esse debate deu a oportunidade de ver o que significa esses grandes eventos, quais os lucros para aqueles que estão organizando e quais os prejuízos para a população. Seria muito importante que a sociedade pudesse ter acesso a informação verdadeira sobre os malefícios que os grandes eventos trazem para a grande massa”.
[Marcos Tinoco, do Sindicato dos Bancários]