O representante da Federação dos Servidores Públicos da Grécia, Sotiris Martalis esteve no Brasil entre os dias 5 e 7 de junho, onde participou do Conclat (Congresso da Classe Trabalhadora), em Santos (SP). Leia a saudação de Sotiris Martalis na abertura do Conclat. Em seguida, trechos da entrevista coletiva.
“ Vim trazer um forte abraço militante e uma saudação dos trabalhadores em luta na Grécia. Eu também quero estender minha voz, como vocês, expressando minha solidariedade internacional ao povo palestino. À luta pela libertação da Palestina. O exército de Israel atacou a missão de paz da Palestina e matou vários ativistas. Esse crime demanda que precisamos bloquear o exército de Israel em torno do seu front de batalha. Nós testemunhamos um tempo histórico aonde vem de uma mudança mundial. O mundo estará sofrendo uma extraordinária repressão do sistema capitalista. A União Européia está sendo atacada através do imperialismo americano. A frente dos bancos, com o dinheiro dos governos, faz com que os trabalhadores paguem através de baixos salários, altas taxas de desemprego, redução dos gastos sociais e altas taxas. Grécia é um país periférico da Europa, mas agora se transforma no centro da luta de classes. Desde o começo de 2010, tivemos quatro greves gerais. Mais de dezenas de greves de setores como transporte público, Marinha, professores. O auge desse movimento foi a greve geral, no dia 5 de maio. Durante esse dia, em que o país ficou paralisado, as ações de greve tiveram centenas de milhares de trabalhadores que mostraram sua força na Grécia. Apenas em Atenas foram mais de 300 mil trabalhadores. Logo, o que acontece na Grécia não é uma simples greve geral, mas uma greve que consegue envolver diversos setores com solidariedade e potencializando a luta da classe trabalhadora. Essa luta é comum a todos os trabalhadores do mundo. Estaremos juntos nessa batalha. Trabalhadores unidos jamais serão vencidos. Até a vitória sempre”.
Situação atual do país
“Vocês viram na TV a luta do povo grego. Não é um problema grego senão mundial, uma crise mundial. A explosão da bolha financeira provocou uma crise mundial. A queda do Banco Lehman Brothers fez com que os Estados sustentassem o sistema bancário e agora ocorre uma crise dos Estados, da dívida pública.
A Grécia tem um déficit de 300.000 euros, e os bancos buscam lucrar com esta situação. O Estado deu 38 bilhões a estes bancos. Agora, para manter as finanças públicas o governo ataca os trabalhadores e aposentados. Assustam com o “colapso”: que não vai haver dinheiro para hospitais, escolas, etc. Há cortes de até 50% nos salários públicos, aumento de impostos dos produtos básicos de consumo e outros ataques como cortes no salário mínimo de 740 a 640 euros. O movimento de massas deu respostas: quatro greves nacionais e mobilizações, em todo o país. O ponto alto foram os 500.000 nas ruas, em maio passado. Os trabalhadores dizem que a questão é do sistema, não nossa. Quem vai pagar a conta da crise? Na Grécia, a classe governante está fazendo uma experiência, para os países chamados PIGs. É um problema geral. Se o plano na Grécia passar, isto tem importância para a Grécia, Europa e todo o mundo. Por isso, esperamos a solidariedade de todo o mundo”.
União Européia

“Em 1997, quando se definiu a entrada na zona do euro, os trabalhadores pensaram que teriam uma vida melhor. Esse era o discurso das classes dominantes: o salário e as condições de vida melhorariam. Mas as pessoas viram que essas promessas eram mentiras. Por exemplo, meu salário como professor é a metade dos outros países da zona do euro. Então, agora, há dois questionamentos. O primeiro é quem toma as decisões: o centro europeu ou os gregos? O segundo é que os trabalhadores gregos querem estar com a Europa e a maioria está a favor da UE, mas não “esta” UE dos banqueiros, mas uma de conteúdo social, favorável aos trabalhadores. Quer dizer, ainda não está colocada a ruptura com a UE, mas isso pode ir amadurecendo na consciência”.
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