LUCIANO CAPISTRANO é professor de História da rede estadual e historiador da Semurb. Nesta quarta, 14 de abril, ele participou do Café Literário promovido pelo SESC, onde falou sobre Natal e seu Patrimônio Histórico.

O auditório lotado de estudantes, professores e populares assistiu um debate aberto, onde Luciano exibiu fotos antigas de Natal e contou um pouco da história da cidade. Para ele, a cidade que é bela pode levar para o mal como para o bem. Durante o debate Luciano falou de cultura, plano urbanístico, meio ambiente, patrimônio público e da luta de parte da sociedade para manter a história viva.
Segundo Luciano Capistrano, que também é um dos articulistas do sítio foque.com.br, passar a história e a relevância da cultura do nosso Estado para todos, para os estudantes principalmente, é criar “a consciência de preservação”.
Logo após a palestra o professor e historiador bateu um papo com a nossa reportagem.
Qual a importância de disseminar a história do nosso Estado, da nossa cidade, principalmente para os estudantes?
Luciano Capistrano: A importância é a consciência de preservação. Acho que nós devemos ter uma cidade com identidade, e essa identidade só vai existir quando tivermos preservados a nossa memória. Então, um momento como esse, onde há a possibilidade de conversar com estudantes e dialogar com a sociedade, principalmente com a juventude, esse debate se faz necessário porque o patrimônio histórico é ameaçado, permanentemente ameaçado. Cada vez mais merecemos esses momentos para que se fortaleça a consciência de preservação. Quem sabe, torne-se prática aquilo que os moradores da rua dos Trololos fizeram, lá no Alecrim. Quando a memória for ameaçada, se organize, saia às ruas e lute por ela. Isso é que é o mais interessante nesses encontros.
Você falou que o poder público tinha uma dívida com poetas, pessoas que disseminaram a cultura popular. Qual é a maior dívida do poder público do Rio Grande do Norte com a cultura do Estado?
Luciano: Eu penso assim: Pessoas como Chico Daniel, que é apontado por muitos especialistas como o maior bonequeiro do Brasil. Pessoas como Manoel Marinheiro, como o próprio Cornélio. São pessoas que deram a vida na preservação do fazer popular. O professor David Gurgel tem uma idéia interessante que seria a construção de uma vila. Uma vila que pudesse abrigar, servir como espaço de produção cultural, e, também, pudesse abrigar os próprios mestres da Cultura Popular. É uma idéia que interessante. Porque nós percebemos, salvo raras exceções, que a maioria dos nossos mestres populares ficam marginalizados. São importantes, mas não são valorizados. Devem ser valorizados enquanto estão em vida.
Manda um recado para a sociedade.
Luciano: Visitem os nossos monumentos. Andem por nossas ruas e pensem na história da cidade. Não apenas no Centro Histórico tradicional, Cidade e Ribeira, são lugares importantes que merecem atenção por serem os lugares mais antigos. Mas devemos pensar, também, no Alecrim, na Vila de Ponta Negra, na Zona Norte. Lugares de toda a Natal que guardam a memória de seus habitantes. Como podemos fazer isso? Convidando a todos a visitarem nossos lugares de memória.
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