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Que porra é lusófono?
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24 de fevereiro de 2010 | por
 Bruno Rebouças

Lendo artigo de Tullio Andrade, jornalista e escritor, soube que o Encontro Natalense de Escritores (ENE) não existe mais, graças à iniciativa, digamos incompetente, da administração Micarla de Sousa, que mudou o nome do evento para Encontro Lusófono de Escritores (ELE). A primeira coisa que me perguntei, antes de ficar indignado com a não realização do evento, foi —que porra é lusófono? Procurei no dicionário e soube que lusófono é o cara que fala português, ou o país que tem como língua predominante o idioma português.


A prefeita Micarla de Sousa, junto com toda sua equipe, tem a péssima mania de querer mudar o que já está feito. O caso do ENE é estarrecedor, pois o evento agendado para novembro passado foi cancelado na véspera pela prefeitura. A justificativa foi que em março, deste ano, seria feito um evento maior e mais organizado, inclusive com a presença de autores estrangeiros. Com isso, também seria mudado o nome do evento para ELE. Chegamos ao fim fevereiro e o evento não acontecerá. Ficou nas promessas, assim como muitas outras coisas que a prefeita Micarla de Sousa prometeu.

A mudança no nome do evento não é apenas uma medida para desvincular o ENE da administração Carlos Eduardo. É uma medida de separar as casas. Vito Giannotti, em ‘Muralhas da Linguagem’, tal qual Gilberto Freyre, em ‘Casa Grande e Senzala’, divide o Brasil em dois: Os que freqüentam a casa grande e a senzala.

Vito divide em termos de linguagem. Os que frequentam a Casa Grande falam um dialeto não compreendido pelos da Senzala. Como no livro de Giannotti, uma simples palavra, como otimismo, significa uma coisa para os da casa grande e outra para os da senzala.

À medida que Micarla de Sousa troca o Encontro Natalense de Escritores pelo Encontro Lusófono, ela reduz o encontro cultural e literário, até então popular, em um encontro elitizado, erudito e acadêmico. Centraliza um encontro que seria voltado para as duas casas, apenas para aqueles da Casa Grande, qual, a sua administração prestigia. A prefeita deveria, ao menos, aprender com o presidente Lula, que ao invés de acabar com as ‘bolsas esmolas’, ampliou e tomou a autoria do PSDB para si.

Fato é: com ENE ou ELE a prefeitura não realizará o único evento literário de Natal que visava à formação intelectual da população, além da divulgação de novos escritores e artistas em geral. A atitude da prefeitura e do órgão regulador da cultura na cidade, a FUNCARTE, é lamentável.  Encontro de escritores deve, ou deveria, servir para proporcionar cultura para aqueles que não podem pagar por ela, além de incentivar a educação e a leitura. Quando um encontro desse tipo é cancelado, simplesmente por incapacidade e falta de visão dos seus agentes, realça a frase de Mário Quintana: “O verdadeiro analfabeto é aquele que aprendeu a ler e não lê”.

Por fim, penso em Paulo Francis quando ele disse: Quem não lê não pensa, e quem não pensa será para sempre um servo. É isso que os moradores da Casa Grande querem: manter o exército dos servos sem acesso a leitura, pois sem ela não há pensamento.


OPINIÃO.......................................................................................................................................
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