Sidarta Ribeiro, que também é diretor da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC), alerta que a maconha não é a maravilha do mundo. Existem grupos de risco que não podem consumi-la, como gestantes e jovens em geral. Para serem extraídos os bens que a planta Cannabis sativa oferece “ela não pode ser fumada, porque tudo que é fumado faz mal. O fumo faz mal, a fumaça faz mal”, esclarece.
Ele explica que nos Estados Unidos o uso da Cannabis, em tratamentos medicinais, é feito com vaporizador que não solta fumaça. “todas as substâncias podem ser usadas e abusadas, depende da dose e do modo como é utilizada”.
Ele acredita que “o mal da guerra da proibição é muito maior: é corrupção policial, é tortura, é roubo, é morte. É um monte de coisas ruins que a gente tem que tirar da esfera policial e levar para esfera da saúde pública”.
De acordo com o doutor Sidarta, essa discussão em ano eleitoral é muito válida e devia ser ampliada. “o mal é que aquilo que é proibido não é regulado”, afirma.
Em carta publicada na Folha de São Paulo (14/7), Sidarta Ribeiro e Steven Rehen, pós-doutor em neurociência do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirmam que existem perspectivas, com o uso da planta Cannabis sativa, para os tratamentos da obesidade, esclerose múltipla, doença de Parkinson, ansiedade, depressão, dor crônica, alcoolismo, epilepsia, dependência de nicotina.
“Temos que desmitificar isso daí. Tem gente que gosta de beber, tem gente que gosta de fumar cigarro. Se o cara quer beber ele bebe, só não pode pegar o carro e bater na parede, porque isso é um abuso”, diz.
“A maconha não beneficia a memória não. Ela até traz um déficit de memória em curto prazo. Porém, as pessoas que fumaram maconha e pararam não tiveram prejuízos. A descriminalização vai permitir que se estude melhor, também vai permitir que pare de criminalizar o usuário. Que ele possa ser respeitado quando usar dentro do limite e que possa ser tratado quando passar a abusar”, declarou Sidarta Ribeiro, em entrevista a Bruno Rebouças [18/8/2010].