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Neurociência e maconha
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18 de agosto de 2010 | por Bruno Rebouças

A descriminalização da maconha esteve em pauta na 62ª SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), realizada no último mes de juloh em Natal. No último dia do evento, a Marcha da Maconha reuniu cerca de 500 pessoas. Entre faixas, cartazes e a vigilância policial manifestantes protestaram contra a proibição da droga no Brasil.

Recentemente, durante entrevista, o neurocientista do Instituto Internacional de Neurociências de Natal, Sidarta Ribeiro, defendeu a regularização da maconha para uso medicinal e, também, para consumo próprio. “O uso de canabinóides – substância usada na maconha – já é possível. Eu sou a favor da descriminalização da maconha, para qualquer uso”, afirma. Segundo Sidarta, “comparar maconha com o crack é a mesma coisa de comparar cerveja com veneno de rato”. De acordo com o neurocientista, pós-doutor em Neurociências pela Universidade de Duke (EUA), o “nosso cérebro está cheio de substâncias canabinóides e ela tem usos médicos importantes. É um remédio muito bom para determinadas doenças”.

Sidarta Ribeiro, que também é diretor da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC), alerta que a maconha não é a maravilha do mundo. Existem grupos de risco que não podem consumi-la, como gestantes e jovens em geral. Para serem extraídos os bens que a planta Cannabis sativa – popular maconha – oferece “ela não pode ser fumada, porque tudo que é fumado faz mal. O fumo faz mal, a fumaça faz mal”, esclarece.

Ele explica que nos Estados Unidos o uso da Cannabis, em tratamentos medicinais, é feito com vaporizador que não solta fumaça. “todas as substâncias podem ser usadas e abusadas, depende da dose e do modo como é utilizada”.

Ele acredita que “o mal da guerra da proibição é muito maior: é corrupção policial, é tortura, é roubo, é morte. É um monte de coisas ruins que a gente tem que tirar da esfera policial e levar para esfera da saúde pública”.

De acordo com o doutor Sidarta, essa discussão em ano eleitoral é muito válida e devia ser ampliada. “o mal é que aquilo que é proibido não é regulado”, afirma.

Em carta publicada na Folha de São Paulo (14/7), Sidarta Ribeiro e Steven Rehen, pós-doutor em neurociência do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirmam que existem perspectivas, com o uso da planta Cannabis sativa, para os tratamentos da obesidade, esclerose múltipla, doença de Parkinson, ansiedade, depressão, dor crônica, alcoolismo, epilepsia, dependência de nicotina.

“Temos que desmitificar isso daí. Tem gente que gosta de beber, tem gente que gosta de fumar cigarro. Se o cara quer beber ele bebe, só não pode pegar o carro e bater na parede, porque isso é um abuso”, diz.

“A maconha não beneficia a memória não. Ela até traz um déficit de memória em curto prazo. Porém, as pessoas que fumaram maconha e pararam não tiveram prejuízos. A descriminalização vai permitir que se estude melhor, também vai permitir que pare de criminalizar o usuário. Que ele possa ser respeitado quando usar dentro do limite e que possa ser tratado quando passar a abusar”, finaliza.


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