Liberdade em duas rodas
A festa de 5º aniversário do MC Paz em duas rodas foi altamente demais. O jornal O Coletivo entrou na onda e foi lá para mostrar o que rolou no meio de tanta paixão pelo motociclismo.
Motoqueiros não, motociclistas!
Se você imagina que aqueles caras de preto, muitos barbudos, alguns tatuados, que andam em suas motos são um bando de baderneiros e analfabetos, você está super enganado. A começar pela palavra motoqueiro. Motoqueiro não tem disciplina, arranja confusão. Os caras e as mulheres que participam do Moto Clube são pessoas instruídas com um forte conceito social, disciplinadas, amigas e companheiras.
Motos e nada mais. Com essa tribo não tem papo-furado. Encontrar a turma em passeios e festas à base de rock ou música eletrônica é o que interessa. Isso é que é liberdade. Pilotar a moto e curtir a vida numa boa. Um exemplo de vida e curtição pelo motociclismo é João Batista, que começou a pilotar motos desde 1974. Ele conta que adora remontar motos. Chegou a transformou uma CB400 numa estradeira. Para ele, moto clube é lazer, brincadeira, curtir a estrada e a poeira.
Foi nesse ritmo acelerado que o MC Paz em duas rodas preparou uma festa de arromba para receber essa tribo de apaixonados por motos. Churrasco e feijoada à vontade, rock in rol com a banda Decreto Final e música eletrônica ao som do DJ Eder. A animação correu solta com tanta adrenalina no palco e no meio do salão. Nas mesas, o papo rolava alegremente entre os diversos grupos de motociclistas.
Foi num Sábado 8 de janeiro. Logo no comecinho da tarde a movimentação de muitas motocas chamavam a atenção em frente ao Nana Banana, na Redinha. Motociclistas de coletes pretos chegavam a todo instante. Gente de todas as idades. A senha era a camisa oficial do Moto Clube (MC).
Ao entrarem todos era homenageado com a placa de 5º aniversário do MC Paz em Duas Rodas. Em seguida, a bandeira com o símbolo do MC era hasteada com orgulho. No meio da festa o presidente do Paz em duas Rodas, Cristiano, pediu um minuto de silêncio em homenagem a quatro companheiros que voaram de moto para o céu: Ivan, Jacaré, Carlos Bias e Sales.
Cerca de 800 pessoas e 75 MCs de várias cidades do Rio Grande do Norte compareceram à festa, numa demonstração de companheirismo e amizade. Em cada depoimento muita emoção estufada no peito e declaração de amor ao motociclismo.
Moto Clube não é só para a rapaziada, não. Segundo o presidente do MC Rolas Cansadas, Don Brito, “O MC tem a importância de se integrar mais humanamente. Tanto com os companheiros motociclistas quanto com outros que gostam de moto e que venham a ter uma visão melhor da vida”.
“Esse Moto Clube foi fundado e criado com esse nome devido a uma situação que aconteceu comigo, no Rio de Janeiro, aí fiquei com essa lembrança dos anos 1980. Vindo morar aqui, pois sou norteriograndense, resolvi criar esse moto clube, porque tinha tudo a ver com o que aconteceu comigo.”
[Dom Brito é motociclista desde os 18 anos de idade e está com 58]
“A importância do MC é a união que se forma entre os motociclistas. A gente se desloca de uma cidade para outra, chega aqui e é bem recebido, nos tratam bem.”
[Júnior do MC de Currais Novos]
“A importância de participar de moto clube e ser motociclista é muito grande, porque esse nome motociclista e motociclismo, tem muito responsabilidade junta, significa muita coisa. Significa solidariedade, fraternidade e irmandade acima de tudo. Um motociclista nunca deixa outro sozinho na estrada.”
[Jailson, do MC Aventureiros do Asfalto]
“Moto clube é amizade, motociclismo, conduta na estrada, que muita gente não tem. A gente prega sempre isso, bom caráter no trânsito, tentar ser mais amigável.”
[Carleton, conhecido como parea, presidente do MC Guardiões Negros]
“Moto clube é um estilo de vida. Eu saí do futebol e resolvi mudar de estilo, A gente fica mais ligado ao mundo, no dia-a-dia. Vai deixando mais de beber, de farrear para estar passeando com a esposa. É um dos sonhos que eu tinha, eu adoro moto.”
[Everaldo, do MC Anarquia]
“A gente tem muitos amigos e sempre prega a irmandade, a humildade. Para onde a gente vai tem um moto clube, e por mais que a gente não conheça a gente dá aquele apoio, assim como também recebe. Foi fundado em Viçosa (BA), como a maioria é militar a gente veio para Natal e reativou o moto clube aqui.”
[Edganio, do MC Justiceiros da Ordem]
“Sempre nos reunimos com os amigos para bater papo, falar de motociclismo e de moto. Tenho 15 anos de motociclismo, graças a Deus tudo na medida.”
[Edson, do MC Paz no Asfalto]
“A importância de você participar de um moto clube é porque todo membro de um moto clube tem que ter disciplina. Tanto no trânsito, na segurança, como ele próprio. Então, para fazer parte de um moto clube tem que ser uma pessoa boa. É por isso que se diz motociclista e não motoqueiro. Um motoqueiro não se encaixa num moto clube, porque o motoqueiro tem a fama de baderneiro, de fazer confusão e o motociclista não. O cara pode usar a moto tanto para trabalho como para lazer. Esse é o motociclista.”
[Márcio, presidente do MC B-17]
“Eu acho muito importante participar de um moto clube. Em primeiro lugar pelo fator da amizade, que a gente consegue muitos amigos. Eu mesmo a partir do dia que fundei o grupo o 100 destino, de Goianinha, eu não me vejo só em canto nenhum, aonde chego sou bem recebido, e o propósito é isso mesmo. É diversão, lazer com amigos, para mim isso é uma irmandade muito grande, porque em qualquer lugar que eu chego que tenha um moto clube ou um moto grupo eu me sinto em casa.”
[Brás Oliveira, presidente do MC 100 destino, de Goianinha]
“Os nossos projetos são sociais, culturais, religiosos, ações beneficentes filantrópicas, humanísticas, bem estar de todos e o bem comum. Somos contra os descasos sociais, contra a má distribuição de renda, fazemos projetos filantrópicos o ano inteiro no interior. Esse ano levamos 140 kg de alimentos, brinquedos e roupas usadas para a população carente de Lagoa Comprida, São Paulo do Potengi. Assistimos 190 famílias, aproximadamente, quase 600 pessoas, nossa meta de trabalho é essa.”
[Donatão, presidente do MC Shakalinos, da Zona Norte de Natal]
“Além do lado do lazer, que a gente se diverte bastante, encontra vários amigos. Curtir as estradas com a família. Viajamos muito, vivemos curtindo a estrada.”
[Brito, do MC Anarquia]
“Moto clube não é só pegar a moto e sair. A moto é um transporte de duas rodas para quem anda com responsabilidade. A gente é caracterizado como motociclista e não como motoqueiro porque temos nossos princípios de juntar a galera para sempre estar planejando uma viagem, um encontro, um aniversário como esse aqui. Na verdade, todo motoclube que você vai é como se fosse uma irmandade, todos são companheiros, amigos. Na existe motoclube com inveja ou marcação no outro. Não tem isso de dizer aquele é mais rico, aquele é mais pobre, esse aqui só tem titan, o que interessa é ter uma moto, espírito de viajar, de curtir e ter união.”
[Flávio, do MC]
Entrevista com Cristiano, presidente do MC Paz em duas rodas.
Como surgiu o moto clube Paz em duas rodas?
“Aproximadamente em novembro de 2004 eu estava na minha residência junto com Carlos Biz, que faleceu num acidente de moto, a gente estava assistindo o filme Velozes e Furiosos, e através desse filme a gente viu alguns grupos de motociclistas. Daí surgiu a idéia de fundar o moto clube Paz em duas rodas, formado em 5 de janeiro de 2005. A gente conseguiu fazer o estatuto, que têm direitos e deveres, conseguimos um padrinho, que se chama Seu Ivanildo, do Carcará do Vale, da cidade de Ceará Mirim, que nos apadrinhou pra gente poder se integrar na Federação de Motociclistas do RN”.
Quais os requisitos para fazer parte do grupo?
“Para entrar no moto clube você tem que ser indicado por uma pessoa que seja integrante. Então, você passa por uma série de avaliações, o seu comportamento moral, a sua disciplina, o respeito com a mulher do próximo, com crianças, o respeito com as leis de trânsito comportamento sobre duas rodas em viagem. Quando se veste a camisa branca, com o nome amigo, fica em observação quase um ano para se tornar um aspirante. Depois passa mais um ano a dois anos como aspirante para se tornar um membro. Hoje temos 22 membros.”
Recado final
“Eu digo sempre ao motociclista: queime o seu pneu e não a sua alma. Segure a responsabilidade da sua honra sobre a sua bandeira, por que muitos já se foram, vitórias foram alcançadas, e essas vitórias representam aquilo que você leva em seu peito, a sua moral, o seu caráter, o seu respeito.”
OPINIÃO.......................................................................................................................................
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