Contam que por essa terra
Quem trabalha a terra só vive a penar
Abatido sem direito a terra
Vive em pé de guerra
Sem poder sonhar
O direito à terra
É de quem trabalha
A estrofe do cantador popular Rubinho do Vale chama a atenção para a questão da terra, uma luta incansável do MST – Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, que no dia 18 de abril iniciou mais uma Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária.
No RN centenas de trabalhadores Sem Terra estão acampados em frente à sede do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), em Natal. O movimento cobra do governo federal o cumprimento de compromissos assumidos em agosto passado.
Diferente de outros Estados, aqui a sede do INCRA não chegou a ser ocupada. Acampados em barracas armadas no meio da rua os trabalhadores Sem Terra esperam que o superintendente do Incra/RN, Paulo Sidney, retome as negociações.
O Coletivo Foque de Comunicação esteve no acampamento e conversou com Josivaldo Pereira, da direção do MST.
Qual o objetivo do movimento com esse acampamento?
Josivaldo Pereira – Estamos reivindicando a pauta amarela, que há mais de três anos não é atendida, tanto no Incra quanto na Caixa Econômica. Hoje pela manhã (20/4) estivemos na Caixa, onde realizamos uma ocupação pacífica. Em seguida, sentamos com a direção do banco, que prometeu atender as reivindicações que nós estamos cobrando deles.
O que foi tratado com a direção da Caixa?
Josivaldo – A questão dos créditos e da habitação e construção.
Já teve alguma reunião com o Incra/RN?
Josivaldo – O Incra ainda não procurou a gente para sentar, não se manifestou ainda para chamar a gente e dizer o dia que vai nos receber.
Como está a pendência em relação ao Pronera (Programa Nacional de Educação em Áreas da Reforma Agrária)? Por que na última ocupação tinha essa pendência.
Josivaldo – Continua. São três anos de pauta amarela. A gente chama de pauta amarela porque os documentos já amarelaram dentro do cofre do Incra. São três anos que não somos atendidos. Nós estamos querendo uma resposta concreta. Ninguém sabe qual é o dia que a gente vai embora, vamos ficar por tempo indeterminado.
Em outros Estados houve problemas de repressão. Aqui ocorreu algum fato desse tipo?
Josivaldo – Não. Aqui foi muito pacífico. Em Mossoró, de 11 a 17 de abril, fizemos algumas ocupações na Prefeitura, onde tinha muita polícia, mas foi até calma. Depois, fizemos protestos na BR, próximo de Mossoró. Aí a polícia pegou pesado com a gente. A PM chegou batendo, levou pessoas presas.
Existem muitas pendências em relação aos assentamentos?
Josivaldo – Muitas. Tem assentamento que não tem nem o lote ainda. Para liberar são três ou quatro anos. Em Mossoró, só agora começaram a liberar.
Qual a justificativa do Incra para a demora?
Josivaldo – O problema é do Incra, que diz não ter recursos, que não tem funcionário para se deslocar para os assentamentos. Eles botam uma série de problemas e a gente tem que esperar por eles.
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