“Nada posso quando calo,
mas se me expresso, me supero,
Ilumino os meus passos”
[Nadja Cristina Tavares, poetisa potiguar]
As ruas de Natal ficaram mais bonitas neste 8 de março. Tons de lilás espalharam a beleza feminina pela avenida, juntamente com o grito por direitos iguais e a denúncia da violência sofrida pelas mulheres. Elas foram para as ruas exigir a licença maternidade de 6 meses, creches para as mulheres trabalhadoras nos locais de trabalho, a legalização do aborto, salário igual para trabalho igual e medidas contra a exploração e opressão da mulher.
Como lembra a poesia de Cora Coralina, a muher do povo, bem proletária, bem linguaruda, desabusada, sem preconceitos. Foi com essa disposição de luta que dezenas de mulheres da cidade e do campo caminharam pelas ruas de Natal, empunhando suas bandeiras e lembrando o histórico caminho percorrido pelas mulheres trabalhadoras nesses cem anos em que se comemora o 8 de março.
Durante a caminhada representantes de várias entidades do movimento sindical e popular soltaram a voz em saudação ao Dia Internacional da Mulher. Segundo a coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal, Gigi, “São inegáveis os avanços e as conquistas que as mulheres já tiveram nesses 100 anos de luta. A grande derrota, hoje, é a questão da violência doméstica contra a mulher. Isso é uma coisa que temos muito a lamentar. Temos muito que avançar para que a mulher tome coragem, se imponha, denuncie a violência doméstica. Temos muito chão a percorrer, para que as mulheres possam ter a consciência de que elas não são objetos de cama e mesa.”
Para a diretora do Sindicato dos Bancários, Albertina Bertino, “Na verdade, hoje é um dia para comemorar a luta das mulheres que vem se destacando nesses últimos anos. São 100 anos de luta. Porém, o comércio tem feito disso um momento para vender, mas nós não podemos aceitar isso. Mulher lutadora é aquela que luta pelos seus direitos, luta em busca de melhores condições de trabalho, contra a violência, contra o machismo e pelo trabalho igual, com salário igual, para que a gente possa construir um mundo mais justo e igualitário.”
A coordenadora do Sindsaude, Sônia Godeiro, disse que “Temos a comemorar a presença da mulher no mercado de trabalho, que é em massa atualmente, apesar dos salários serem mais baixos e os trabalhos mais pesados. Mas isso faz com que a mulher desperte para ter sua independência econômica e, consequentemente, ela crie a sua independência política e alcance a sua dignidade. Que ela se sinta capaz de sustentar a si mesma e sua família. As mulheres, hoje, estão em todas as profissões. Não existe mais profissão que não tenha mulheres. Isso mostra que estamos superando aquele preconceito que a mulher é um ser inferior, que não tem capacidade, que é mesmo inteligente. Agora, temos muito a conquistar, porque os salários são muito baixos em relação aos homens. A violência vem crescendo a cada dia. Além disso, queremos melhores salários e mais postos políticos. Hoje, no Congresso Nacional, na Assembleia Legislativa, nas Câmaras Municipais as mulheres são absoluta minoria, e muitas vezes, não tem representantes das mulheres nas Câmaras Municipais. Então, é preciso avançar nesse sentido.”
Ao falar à nossa reportagem a representante do MST, Áurea Lúcia, chamou a atenção para esse momento de luta. Para ela, “Essa é a hora, principalmente para nós mulheres do campo, botar para fora e denunciar tudo: as injustiças, a criminalização. Nós somos rejeitadas pela sociedade. Primeiro por sermos do campo, e por isso acham que somos burras. A burguesia não acredita na mulher do campo, não acredita que a mulher do campo possa ter uma instrução. Então, esse é o momento melhor que nós temos para denunciar tudo isso para a sociedade. O meu recado é simples: precisamos nos unificar. Precisamos nos unir para tentar mudar esse país. São tantas mulheres sendo assassinadas por motivo besta e tudo isso fica impune. Então, é à hora da cidade se unir com o campo.”
A coordenadora-geral do Sindicato Estadual dos Trabalhadores em Educação do Ensino Superior, Vânia Machado, disse que “Esse dia reflete a história da luta das mulheres durante todo o período da história que a gente vive, quais as mudanças que trouxeram e o que nós podemos estar mudando em relação à necessidade da mulher, como mãe e trabalhadora. Como uma lutadora, também, principalmente aquelas que estão à frente do movimento social e da comunidade. Temos sobrecarga de trabalho. As leis do nosso país prejudicam muito a mulher. Hoje, nós estamos nas ruas procurando nosso espaço, já que não temos espaço na mídia, como gostaríamos, para estar orientando e salvando vidas de muitas mulheres através de leis, através da conscientização.”
A manifestação organizada pela Conlutas, Intersindical e MST foi encerrada com a apresentação de teatro de rua, seguido de ato público no calçadão da João Pessoa, no centro da cidade.
OPINIÃO.......................................................................................................................................
|
COMENTÁRIOS......................................................................................................................
Parabéns pela cobertura da manifestação do dia intercional da MULHER, como também pelo site. Espaço como esse é muito importante.
|
Fico feliz por saber que a mulher esta ganhando seu espaço, isso é muito bom, a mulher tá se superando a cada dia, sempre com grandes desafios e tá procurando fazer a diferença. O que me deixa triste é que ainda falta muito para nos tornar de fato prestigiadas com este dia reservado para a mulher, pois o nosso País ainda deixa a desejar com leis tão brandas quando se trata da violência. E a desigualdade de salários, a mulher merece mais dignidade.Parabéns a todas as mulheres, em especial aquelas que representam a todas nás no seu pouco espaço. Que continuem lutando por todas nós, obrigada.
|
|