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Papo de redação: Liberdade de imprensa
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terça-feira, 11 de maio de 2010 | Da redação Fotografia Rogério Marques

O Coletivo Foque de Comunicação promoveu mais um papo de redação. Dessa vez, o assunto foi a liberdade de imprensa, em parceria com o Sindicato dos Jornalistas do RN (Sindjorn) e o curso de jornalismo da UnP.

 

O bate-papo foi realizado no campus da Nascimento de Castro da UnP e contou com a participação da presidente do Sindjorn, Nelly Carlos, do cineasta Buca Dantas, além dos jornalistas Bruno Rebouças e Rogério Marques.

Nelly denunciou os crimes cometidos contra jornalistas e a crescente violência contra o exercício da profissão.
Muita gente diz que o jornalismo é o quarto poder. Eu discordo. O quarto poder é formado pelos donos dos grandes veículos. Com relação à liberdade de expressão, praticamente todos os veículos pertencem a políticos. Infelizmente, todo jornalista vai ter que sempre seguir uma linha editorial. Então, a liberdade de expressão está na ética, na responsabilidade de quem vai divulgar os fatos, afirmou Nelly. Ela também aproveitou para repassar vários informes sobre Sindjorn e a Fenaj, que tem eleições marcadas para julho próximo.

Segundo Buca,
o cinema é diferente do jornalismo, pois trabalha com a ficção, embora tenha muita ficção no jornalismo. Falando de liberdade de imprensa, está estabelecido um dilema, ou você vende a sua força de trabalho para o patrão que compra a sua informação ou monta a sua própria empresa. Para Buca, a liberdade é negociada quando se exerce a profissão. A liberdade de expressão vai até onde você pode ir no que seria a sua expressão e no que seria a expressão de quem está pagando pelo seu trabalho, afirmou.

O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, 3 de maio, lembra a Declaração de Windhoek, redigida por jornalistas africanos em 1991, que clamava por uma mídia livre e independente. A data foi aprovada pela UNESCO e pelas Nações Unidas em Windhoek (Namíbia), em 3 de maio de 1991.

No mundo inteiro a liberdade de imprensa tem sido alvo de debates frequentes. Em grande parte essa discussão se restringe à questão da violência contra jornalistas, que não deixa de ser um fato alarmante. No entanto, é preciso abordar essa questão de uma maneira mais abrangente, como o controle da comunicação por uma elite política e pelo poder econômico. Desse modo, o debate sobre a liberdade de imprensa se confunde com a liberdade de opinião dos donos dos grandes veículos de comunicação.

Apesar de mais sutil, escrever sob coação psicológica, ameaça constante de demissão, em condições precárias de trabalho e oprimido por baixos salários tolhe tanto a liberdade de imprensa quanto uma agressão física [José Augusto Camargo, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo]

O conceito de liberdade de imprensa tem tomado o rumo do ponto de vista da casa grande, onde o poder econômico detém as ferramentas e os meios de produção da comunicação de massa em nosso país. Nesse contrexto, o apadrinhamento político é a senha utilizada para ter direito à liberdade de imprensa. Quem se arrisca a fazer parte de uma imprensa independente, como o caso das rádios comunitárias, é perseguido pela Anatel e Polícia Federal.

No Brasil, os meios de comunicação é controlado por um grupo seleto de famílias. Segundo estudo do coletivo Intervozes, 25% de senadores e cerca de 10% dos deputados são concessionários de rádio ou TV. O que resta pertence a poderosos grupos econômicos, como Globo, SBT, Record, Folha, Abril, só para citar os maiores. O jornalista é apenas uma peça de mão-de-obra barata nessa engrenagem. Na maioria das vezes resumido a vendedores de notícias ou negociantes de frases, como descreveu Balzarc no século XIX.

Estamos no meio de uma discussão onde a imprensa é mercantilizada como moeda de troca e manipulada para atender interesses. Publica apenas a opinião do dono do jornal, jogando por terra a liberdade de imprensa como um direito de todos.

Os capitalistas chamam liberdade de imprensa a compra dela pelos ricos, servindo-se da riqueza para fabricar e falsificar a opinião pública[Lenin]

Ao final do nosso papo de redação, a diretora do curso de jornalismo da UnP, Maria Valéria, agradeceu a iniciativa do nosso Coletivo e a participação de todos.


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