Tullio Andrade (www.verborragicos.com)

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Breves considerações sobre
a imortalidade

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12 de abril de 2010

Não. Essa crônica não vai falar de nenhum vampiro da série Crepúsculo, nem tampouco da trilogia de Highlander (será que alguém lembra dessa?!).

Os imortais existem sim... Mas não vêm de outro planeta nem são monstro sugadores de sangue. Bem mais pacatos e altruístas, os imortais do mundo real embora não vivam grandes aventuras como esses personagens, criam as mais impressionantes e belas histórias em seus livros. Ou pelo menos eu pensava que era assim.

Desde que me entendi por gente e aprendi realmente a ler e não apenas somar “b+a” sempre me seduziu a idéia de um dia ser um “imortal”. Como os doces “velhinhos” da Academia Brasileira de Letras. Na minha ainda pueril imaginação de adolescente sempre achei que os imortais da ABL eram mentes brilhantes que se reuniam para o chá das cinco para conversar sobres os temas mais inteligentes e impressionantes, totalmente inatingíveis por nós, meros mortais. Eram seres acima de nós. Uma espécie de Olimpo da inteligência e da criatividade artística. O mais do mais em se tratando de literatura nesse país. Mas aí... a gente cresce...

E descobre que as cosias não são bem assim. Para entrar na ABL o requisito não é apenas ser um grande escritor ou poeta. Para se ter uma idéia Monteiro Lobato, Clarice Lispector e o maior poeta do Brasil, Carlos Drummond de Andrade, nunca vestiram a farda da Academia. E eu pergunto: será que eles precisaram tomar o chá da imortalidade para se tornarem imortais?!

Não tenho dúvidas que as gerações futuras ainda lembrarão de Drummond quando pensarem em poesia... Mas será que ao se falar em literatura alguém vai realmente se lembra de Ivo Pitanguy ou José Sarney? Sem dúvidas que são nomes fortes, mas o que diabos eles estão fazendo na ABL? Ah! Alguém vai dizer, mas Sarney é poeta. Bom ele escreveu alguns livros em versos; mas ser poeta não é só juntar meia dúzias de palavras e publicar um livro. Não vamos colocar Sarney na mesma categoria em que estão Drummond e Vinícius de Morais, né?! E quanto a Ivo Pitanguy. Bom, tudo bem que ele contribuiu e muito para deixar esse mundo mais bonito... Mas desde quando colocar silicone nos outros é uma habilidade digna da Academia Brasileira de Letras?!

De fato, a qualidade e a importância da sua obra para a construção da cultura nacional definitivamente não são a condição maior para se entrar na ABL. E olha que eu não vou nem falar em Paulo Coelho para não ter que arrumar uma briga aqui. Porque, acreditem se quiserem, mas tem gente que realmente acha que o que ele escreve tem qualidade!

Bom, mas ele tá lá. E pode se considerar um imortal desde então.  Entretanto, o mais importante nessa desmitificação da ABL que se deu na minha visão sobre o que é realmente bom é que, em se tratando de literatura, não é uma farda galante nem um título ostentativo que vai servir como selo de qualidade do autor. Quem dá essa garantia são os leitores, que ao se depararem com uma obra genuinamente grandiosa não conseguem mais encarar o mundo nem suas vidas da mesma forma de antes. Essa é a verdadeira imortalidade do autor. E ele a conquista quando invade a alma dos seus leitores para produzir mudanças profundas em cada um deles, perpetuando sua existência em cada leitor.

Não que na ABL não existam grandes autores. Prova disso são gênios como Ariano Suassuna e João Ubaldo Ribeiro... Mas estes conquistaram sua imortalidade não por causa da Academia. Aos demais, ” imortais diplomados”, que precisam do título conquistado em alguma manobra política ou lobística, fica reservado o anonimato. Porque, me desculpe Sandy (É. Aquela mesma da dupla Sandy e Júnior), mas o que imortal às vezes morre no final.

V! www.verborragicos.myblog.com.br

 


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